Em “A Menina e as Seis Lanternas”, autor cria uma fábula infantojuvenil sobre escolhas, atenção, compaixão e autoconhecimento a partir da jornada de Lila pelo Vale do Amanhã
Como uma cidade cheia de pessoas inteligentes pode, ainda assim, tornar-se um lugar de rios sujos, conflitos e gente cada vez mais insatisfeita? Essa é a pergunta que dá início a A Menina e as Seis Lanternas, de Thiago Ronda, lançamento da Marini Editora que utiliza a linguagem da fábula para aproximar jovens leitores de temas como sabedoria, consciência, compaixão e equilíbrio interior.
A protagonista é Lila, uma menina sensível e curiosa que vive no Vale do Amanhã. A cidade tem escolas, mercados, jardins, pontes, moinhos e uma grande torre. Seus moradores são capazes de construir máquinas, casas, barcos e diferentes invenções. Apesar disso, o lugar começa a apresentar sinais de desequilíbrio: os rios deixam de ser limpos, pequenas discussões se multiplicam e, mesmo cercadas por bens e realizações, muitas pessoas se sentem vazias e solitárias.
Ao observar tudo aquilo, Lila pergunta à avó como uma cidade com tanta gente inteligente pode estar tão perdida. A resposta é curta, mas passa a orientar toda a história: “Porque ser esperto não é a mesma coisa que ser sábio.”
Três sombras revelam os conflitos do Vale
Naquela noite, Lila sonha que uma neblina cobre a cidade e, de dentro dela, surgem três sombras.
A primeira é Quero-Tudo, que estimula o desejo permanente de possuir mais. A segunda, Empurro-Todos, aparece associada à ira e à reação agressiva diante das diferenças. A terceira é Acho-Que-Sei, que incentiva as pessoas a repetir comportamentos sem observar, escutar ou procurar compreender verdadeiramente.
No sonho, Lila percebe que essas forças já circulavam havia muito tempo pelo Vale do Amanhã: Quero-Tudo estava presente nos desejos e no consumo; Empurro-Todos, nas conversas e conflitos; e Acho-Que-Sei, na maneira como as pessoas pensavam.
É nesse momento que surge uma trilha iluminada por seis lanternas. Para descobrir como ajudar a cidade, Lila terá de percorrê-la e compreender o ensinamento guardado por cada luz.
Seis lanternas, seis formas de olhar para dentro
A primeira lanterna leva Lila a observar os próprios desejos. A história diferencia vontades ligadas ao aprendizado, ao cuidado e à ajuda daquelas associadas à necessidade de possuir tudo, vencer a qualquer custo ou parecer importante. O ensinamento apresentado à personagem é que a sabedoria também envolve escolher quais desejos alimentar.
A segunda chama a atenção para os gestos e escolhas. Mentir, humilhar ou ajudar alguém produzem consequências que, na fábula, ganham formas visíveis. A mensagem é sintetizada na ideia de que comunidades são construídas pelas escolhas que as pessoas repetem.
Na terceira lanterna, o foco passa para a atenção. Lila percebe sons, medos, lembranças e preocupações que ocupam sua mente. Ao aprender a respirar devagar e diminuir esse ruído, passa a ouvir o ambiente e o próprio coração.
A quarta lanterna ensina a personagem a olhar além da superfície. Diante de conflitos, arrogância e consumo excessivo, Lila começa a perceber medos e tristezas que não eram imediatamente visíveis. A história ressalta que compreender não significa justificar tudo, mas enxergar as situações com maior clareza.
Compaixão e autoconhecimento completam a jornada
A quinta lanterna amplia a experiência de Lila para o campo da compaixão. Ao entrar em contato com a alegria, a tristeza, o medo e a esperança de outras pessoas, ela aprende que perceber a dor alheia não significa ser dominada por ela, mas transformá-la em cuidado.
Na sexta e última lanterna, a jornada se volta para o autoconhecimento. O texto apresenta à protagonista a possibilidade de reconhecer em si um espaço mais profundo do que seus medos, pensamentos e papéis cotidianos. Nesse momento, a narrativa contrapõe a pressa de correr, competir e provar alguma coisa à capacidade de conhecer, cuidar e despertar.
As seis etapas formam, assim, um percurso que vai dos desejos e ações à atenção, à compreensão, à compaixão e à percepção de si.
Mudanças começam em pequenos gestos
Quando retorna ao Vale do Amanhã, Lila descobre que a neblina e as sombras não desapareceram. O que mudou foi a maneira como ela passa a responder a elas.
Em vez de esperar uma solução grandiosa, a personagem começa pelas pequenas ações: ajuda colegas a se escutarem, planta uma muda perto do rio, procura respirar antes de responder com raiva e passa a prestar mais atenção ao sofrimento e à alegria das pessoas à sua volta.
No início, quase ninguém percebe. Aos poucos, porém, as atitudes começam a produzir efeitos. Outras crianças aprendem com Lila, depois os professores e, posteriormente, diferentes moradores da cidade.
O Vale não se transforma em um lugar sem problemas. Discussões e momentos difíceis continuam existindo. A diferença é que a cidade passa a contar com pessoas mais atentas às próprias palavras, gestos e escolhas.
Ao final, a força do Vale deixa de ser medida apenas pelas construções e passa a ser relacionada à formação de pessoas mais conscientes do impacto de seus pensamentos e atitudes.
Uma história criada para falar de temas complexos de forma simples
A origem dessa proposta aparece já na dedicatória. Thiago Ronda dedica o livro à filha, afirmando que foi ela quem o levou a procurar uma forma mais simples de falar sobre questões importantes. O autor também registra agradecimento ao Lama Alan Wallace pelos ensinamentos que inspiraram a visão e os conceitos presentes na história.
Essa intenção se traduz tanto no texto quanto no projeto visual. As ilustrações de Isabel Febrônio utilizam cores intensas e personagens claramente diferenciados para acompanhar a mudança de atmosfera da narrativa: o Vale inicialmente industrial e carregado, as sombras que cercam Lila, as seis lanternas e, posteriormente, as cenas de convivência e transformação cotidiana. A edição ainda inclui a atividade “Vamos Pintar?”, ampliando a interação dos pequenos leitores com a obra.
Sobre o autor
Thiago Ronda é pai, empreendedor, escritor e se define como um “eterno curioso”. É fundador e CEO da Sellentt, empresa brasileira de tecnologia, e também se dedica aos estudos de filosofia, educação e contemplação.
Em A Menina e as Seis Lanternas, esses interesses aparecem traduzidos para o universo infantojuvenil por meio de uma narrativa em que conceitos ligados à sabedoria e à consciência ganham personagens, conflitos e imagens acessíveis aos jovens leitores.
Ficha técnica
Título: A Menina e as Seis Lanternas
Autor: Thiago Ronda
Editora: Marini Editora
Ano: 2026
Categoria: Infantojuvenil
Páginas: 52
Formato: 20 × 20 cm
ISBN: 978-65-83871-88-6
Capa e diagramação: Cris Spezzaferro
Ilustrações: Isabel Febrônio
Preparação de design: Karine Akina Kogati
Assistência de produção: Beatriz Lumi
Revisão: Cláudio Amaral
Registro autoral: Artesam
Atendimento aos autores: Julio Quixaba
Direção geral: Wilson Marini
Produção editorial e gráfica: Marini Editora

Sobre a Marini Editora
A Marini Editora Soluções Editoriais Ltda. é responsável pela produção editorial e gráfica de A Menina e as Seis Lanternas. O trabalho reúne o texto de Thiago Ronda, as ilustrações de Isabel Febrônio e o projeto de capa e diagramação de Cris Spezzaferro.
Marini Editora Soluções Editoriais Ltda.
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