Dez anos depois, Cláudio Amaral relança romance que marcou sua estreia literária 

Em Um lenço, um folheto e a roupa do corpo, Marini Editora apresenta nova edição de ficção escrita originalmente em 2003; pelas ruas de São Paulo, personagem enfrenta conflitos familiares e inicia jornada de 40 dias marcada por fé, encontros e busca de respostas

Um texto escrito em 2003, guardado durante anos, publicado pela primeira vez em 2016 e agora recuperado, revisto e ampliado. Dez anos depois de sua estreia em livro, Cláudio Amaral volta ao romance que abriu sua trajetória como escritor para apresentar uma nova edição de Um lenço, um folheto e a roupa do corpo, publicada pela Marini Editora.

A história da própria obra já carrega uma trajetória de persistência. Cláudio conta que escreveu o texto em dezembro de 2003, motivado pelo Prêmio Sesc de Literatura. O original permaneceu guardado por quase 13 anos até chegar à publicação em 2016. Em julho de 2026, o autor concluiu a versão final da reedição que agora marca os dez anos daquele primeiro livro.

Mais do que recuperar um título de sua bibliografia, a nova edição devolve aos leitores uma ficção que coloca no centro da narrativa relações familiares, escolhas, conflitos, espiritualidade e a necessidade humana de encontrar respostas quando aquilo que parecia estável começa a se romper.

Uma denúncia entre pai e filho abre a história

O romance começa no plantão de uma delegacia na Aclimação, em São Paulo.

Um jovem procura o 406º Distrito Policial para denunciar o próprio pai. A acusação é grave: segundo ele, o pai teria ameaçado passar com o automóvel sobre o filho.

A chegada do rapaz quebra a rotina do plantão e coloca diante do delegado Cristovan Buarque de Holanda uma situação que ele próprio considera inusitada. Pouco depois, pai e filho estão frente a frente na delegacia.

O acusado é Claude Amarante, jornalista e chefe de uma família de classe média residente nas proximidades do Parque da Aclimação. O episódio funciona como ponto de partida para uma narrativa que se abre em diferentes direções, recuperando histórias, personagens e relações construídas ao redor daquela família.

Embora utilize referências geográficas e elementos reconhecíveis da vida paulistana, o próprio Cláudio Amaral faz questão de estabelecer a natureza literária da narrativa. Na nota final, é categórico ao afirmar que tudo o que está escrito na obra é ficção e fruto de sua imaginação.

São Paulo deixa de ser cenário e entra na narrativa

Uma das características mais marcantes do livro é a presença da capital paulista.

Aclimação, Liberdade, Paraíso, Vila Mariana, Ipiranga, Jabaquara, Saúde, Cambuci, Moema e Avenida Paulista aparecem no percurso de Claude Amarante e ajudam a construir uma espécie de geografia afetiva e urbana da história.

Durante sua caminhada, o personagem procura evitar tanto a própria casa quanto os lugares onde poderia ser reconhecido. Ainda assim, permanece relativamente próximo de seu bairro e circula por diferentes regiões da cidade.

A presença de São Paulo não se restringe ao deslocamento físico. O romance incorpora referências a ruas, parques, estabelecimentos, instituições e acontecimentos da memória da cidade.

Em um dos depoimentos incluídos na nova edição, o jornalista Gabriel Emidio Silva destaca justamente as digressões que levam o leitor pelas ruas e esquinas da Aclimação, pela Caetano de Campos e até por episódios históricos associados aos edifícios Joelma e Andraus.

Um lenço, um folheto e a roupa do corpo

A razão do título aparece quando a narrativa avança para sua dimensão mais introspectiva.

Depois do conflito familiar, Claude participa de uma missa no Dia dos Pais. Durante a celebração, uma passagem bíblica sobre Elias — que caminhou durante quarenta dias e quarenta noites — provoca nele uma decisão.

O jornalista entende que precisa se afastar por igual período para refletir sobre o relacionamento com os filhos, com a esposa e com outras pessoas de sua vida.

Volta para casa, abandona aquilo que considera dispensável e parte levando consigo apenas um lenço, um folheto da missa e a roupa do corpo.

Durante esse período, deixa também de utilizar computador e outros equipamentos, não ouve rádio nem lê jornais, revistas ou livros. Sua ligação com a família se mantém por mensagens previamente programadas, sempre com a informação de que estava bem e com Deus no coração.

O gesto transforma a caminhada em mais do que uma ausência física.

Os quarenta dias passam a constituir uma experiência de distanciamento, reflexão e busca por respostas.

Fé, família e as perguntas que permanecem

A espiritualidade atravessa a narrativa e ocupa posição central na transformação vivida pelo protagonista.

O próprio texto institucional da edição apresenta a obra como um convite à reflexão sobre fé, vínculos familiares e busca por um novo sentido para a vida, relacionando a caminhada de Claude a conflitos, encontros, descobertas e transformação interior.

Na capa completa, Cláudio explica que escreveu o romance porque acredita que as grandes aventuras humanas também acontecem no coração das pessoas comuns. Segundo ele, embora Claude Amarante seja personagem de ficção, suas dúvidas, seus medos, sua fé e sua esperança pertencem à experiência humana.

Essa intenção reaparece no posfácio da nova edição.

Em vez de oferecer respostas definitivas, o autor encerra o livro formulando perguntas sobre existência, propósito, escrita e legado: por que estamos aqui, o que Deus espera de cada pessoa, o que procuramos realizar e o que permanecerá depois de nossa passagem.

É nesse ponto que Um lenço, um folheto e a roupa do corpo ultrapassa o conflito que dá início à narrativa e se transforma também em reflexão sobre o modo como as pessoas constroem — e eventualmente precisam reconstruir — seus vínculos.

O jornalismo também marca a forma de contar

A longa trajetória profissional de Cláudio Amaral aparece não apenas nas referências urbanas e na profissão atribuída ao protagonista, mas também na própria estrutura narrativa.

Gabriel Emidio Silva observa que os capítulos são introduzidos por chamadas semelhantes às utilizadas no jornalismo impresso, funcionando como teasers do conteúdo que virá. O romance também privilegia diálogos entre protagonistas e coadjuvantes e descrições detalhadas de lugares e situações.

É uma característica particularmente visível já na abertura: o primeiro capítulo é apresentado pela chamada “Jovem faz denúncia contra pai no 406º DP, na Aclimação, em São Paulo”, quase como uma manchete jornalística transportada para a ficção.

O resultado aproxima dois universos que acompanham Cláudio há décadas: o jornalismo e a literatura.

Um livro que retorna dez anos depois

A nova edição possui ainda um significado particular dentro da bibliografia do autor.

Um lenço, um folheto e a roupa do corpo foi seu primeiro romance, publicado originalmente pela plataforma PerSe em 2016. Depois vieram Por quê? Crônicas de um questionador, a biografia de Julia e Affonso Chaves, O Cabo e o Jornalista – José Arnaldo 100 Anos e Meus Escritos de Memória, publicado em 2025.

A edição da Marini Editora é apresentada no próprio livro como uma republicação revista e ampliada, lançada quando se completam dez anos da primeira publicação.

Nas palavras do autor

Ao final da nova edição, Cláudio Amaral transforma a própria experiência de escrever em questionamentos sobre existência, propósito e legado. Entre as reflexões que deixa ao leitor, estão:

“Por que estamos aqui, nós, os seres humanos?”

“E Deus? O que espera de cada um de nós ao permitir nossa existência?”

“Qual é, afinal, a razão da minha vida? Por que escrevo?”

“Estou neste mundo apenas para viver ou para marcar, de alguma forma, minha passagem por ele?”

A obra sob o olhar de outros autores

A nova edição também reúne depoimentos sobre a obra e a trajetória de Cláudio Amaral. O jornalista e ghostwriter Gabriel Emidio Silva destaca a influência do jornalismo na narrativa — “São chamadas de jornalismo impresso, mas com cheiro de rádio” — e define a experiência de leitura: “Livro para degustar. Ler de um fôlego só e recomendar aos amigos.”

Já o escritor, historiador e quadrinista Darlan Zurc ressalta a persistência que acompanha a trajetória profissional e literária do autor: “A força da obstinação faz milagre.” Ao situar Cláudio no universo da escrita, sintetiza: “É como um peixe no mar.”

Fala do editor

Para o editor-chefe da Marini Editora, Wilson Marini, a nova edição permite reencontrar uma obra que reúne duas dimensões importantes da trajetória de Cláudio Amaral:

“Há algo especialmente significativo em publicar novamente, dez anos depois, o primeiro romance de um jornalista que construiu sua vida profissional em torno da palavra. Nesta obra, Cláudio leva para a ficção muito de sua capacidade de observar pessoas, ambientes e situações, mas coloca no centro uma questão que ultrapassa o jornalismo: como reconstruir relações quando elas chegam ao limite. A caminhada de Claude pelas ruas de São Paulo é também uma busca por respostas sobre família, fé e sentido.”

Sobre o autor

Cláudio Amaral, nome profissional de Cláudio Lázaro Alves do Amaral, nasceu em Adamantina, no interior paulista, em 3 de dezembro de 1949.

Jornalista, escritor e biógrafo, iniciou sua trajetória profissional ainda jovem. Trabalhou em veículos como O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo, Jornal do Brasil, Correio Braziliense, A Tribuna de Santos, Comércio da Franca e O Estado do Mato Grosso do Sul, passando por funções de repórter, redator, editor, editor executivo, editor-chefe e diretor de Redação.

Atualmente, integra a equipe da Marini Editora como revisor. 

Ao longo da carreira, também atuou em comunicação empresarial, criou a COMUNIC Comunicadores Associados e aprofundou sua formação, incluindo estudos ligados ao jornalismo editorial e Licenciatura em História pela FMU.

Na literatura, Um lenço, um folheto e a roupa do corpo abriu o caminho para outras obras de ficção, memória e biografia.

Ficha técnica

Título: Um lenço, um folheto e a roupa do corpo
Autor: Cláudio Amaral
Edição: republicação revista e ampliada
Editora: Marini Editora
Ano: 2026
Gênero: Literatura brasileira / Ficção
Temas: espiritualidade e relações familiares
Formato: 16 × 23 cm
Número de páginas: 182
ISBN: 978-65-83871-86-2
Direção Geral: Wilson Marini
Produção Editorial e Gráfica: Marini Editora
Supervisão de Design: Cris Spezzaferro
Capa e Diagramação: Danielle V Cardoso
Preparação de Design: Karine Akina Kogati
Imagens: Inteligência Artificial ChatGPT com prompt do autor
Revisão: Gabriel Emidio
Assistência de Produção: Beatriz Lumi
Atendimento aos Autores: Julio Quixaba
Registro Autoral: Artesam

Sobre a Marini Editora

A MARINI EDITORA transforma ideias em obras que geram manifestações de autoconhecimento, cultura e inspiração. Com atuação nacional, publica livros de autores iniciantes e experientes, valorizando projetos singulares em diversas áreas do saber.

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